"- Espere, Teté. Vamos ver se nos ajuda a diminuir uma dúvida. O doutor Parmentier acha que os negros são tão humanos quanto os brancos, e eu afirmo o contrário. O que você acha? – perguntou Valmorain, num tom que pareceu ao doutor mais paternal do que sarcástico.Ela permaneceu muda, com os olhos no chão e as mãos juntas.– Vamos Teté. Responda sem medo. Estou esperando…– O senhor sempre tem razão – murmurou ela, por fim.– Ou seja, na sua opinião, os negros não são completamente humanos…– Um ser que não é humano não tem opiniões, senhor." (Página 96)
A Ilha Sob o Mar foi o primeiro contato que tive com a literatura latina, e com a autora. É um romance histórico, um dos meus gêneros favoritos. Acompanhe então a resenha.
Em fins do Século XVIII, em Saint-Domingue, onde hoje é o Haiti, as plantações canavieiras eram a principal e mais rentável atividade econômica desta colônia francesa. Ao completar 20 anos Toulouse Valmorais, um francês letrado é convocado por seu pai para ir até a ilha. Como seu pai estava a beira da morte, ele acabou tendo que assumir a administração da habitation Saint-Lazare. Nunca pensou que sua vida tomaria um rumo tão inesperado.
Para ajudá-lo a "domar" os escravos de sua propriedade, Valmorain contrata Prosper Cambray, um capataz cruel e irredutível. Se torna amante de uma mulata cocote Vaiolette Boiser, mas devido as diferenças sociais acaba se casando com a espanhola Eugenia e ganhando um grande amigo como cunhado, Sancho. Neste tempo, com a ajuda de Violette, Valmorain compra Zarité, codinome Teté, uma escravinha de nove anos de idade que estaria para sempre ligada a ele. A partir daí, acompanhamos a vida de Zarité e suas experiências. Neste eixo gira toda a história de Isabel Allende.

