"- O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já eramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos, Quem está a falar, perguntou o médico, Um cego, respondeu a voz, só um cego, é o que temos aqui. Então perguntou o velho da venda preta, Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira." (Página 131)
SARAMAGO, José. Ensaio sobre a Cegueira. Editora Companhia das Letras, 2008. 310 páginas.
Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago foi publicado em 1995, e hoje já está na sua 59ª reimpressão. O livro nos traz uma história no mínimo singular. Um motorista, está parado no sinal, quando de repente um clarão invade a vista do motorista. O sinal abre, mas ele não se move, não pode. Ele se descobre cego. Era o primeiro caso de uma epidemia de cegueira. Mas não era uma cegueira qualquer. Ao contrário dos cegos "normais", esta cegueira era branca. Esta epidemia começou a se espalhar, a cada minuto apareciam mais e mais cegos. O governo resolveu colocá-los em quarentena. Colocaram todos os cegos juntos em determinados locais, e proviam a eles a comida diária e materiais de higiene e limpeza. Mas como poderiam se virar sozinhos? Todos estavam cegos. E se alguém ali não estivesse realmente cego? Como seria? Nesta viagem a luz das trevas, eles se verão perdendo sua humanidade.
